Mais um dia na irriquieta São Paulo! Misturada com grafites, poluição, pessoas e trânsito, eis algo que surge e praticamente grita para mim, chamando toda a atenção dos meus olhos. Na saída do Viaduto Okuhara Koei, sentido Avenida Doutor Arnaldo, vejo uma pixação, no mínimo, curiosa. Tentei tirar uma foto, mas o ônibus foi mais rápido que o obturador (prometo tentar e, assim que conseguir, postar aqui a tal foto). A famigerada frase gravada na mureta era: “Todo camburão tem um pouco de navio negreiro”.

“Todo camburão tem um pouco de navio negreiro”.  Apesar de tê-la repetido o dia todo para não esquecer, esta frase ainda provoca uma reação de paralisia em mim. Fiquei impressionada em perceber como tal frase sintetiza todo um período histórico e situação social em tão poucas palavras. Não é maravilhosa?! Talvez como futura jornalista eu esteja forçando a barra, mas é isso que eu sinto!

Fiquei um bom tempo pensando sobre o que comentar a respeito; não por escrever algo “politicamente correto”, mas sim por tentar absorver o torpor que estou tomada mais uma vez. Estar submetido a um camburão significa estar algemado, no espaço do carro que não é originalmente destinado para pessoas, ser vigiado por pessoas com algum tipo de poder maior que o seu (no caso, armas de fogo) para, no final da viagem, ser submetido a julgamento e regime carcerário. Os escravos nos navios negreiros, como Castro Alves não nos deixa esquecer, eram acorrentados de formas torturantes, carregados em imundos porões de navios, subjulgados pelos marinheiros e senhores de escravos, para, se sobrevivessem, serem submetidos a toda uma vida de abusos e trabalhos forçados.

Não importa se a pessoa que está no camburão é ou não culpada por estar lá. Não estou defendendo os acusados que são presos, mas simplesmente não importa. A situação realmente é, em muitos aspectos, similar a temível viagem dos escravos africanos. E vocês, prezados leitores, parem e reflitam sobre a frase. Afinal, o que pensam desta pixação?!

É com satisfação que constato: a cada dia descubro um novo universo nesta imensa Paulicéia Desvairada!


Durante viagens  longas (seja pelo trânsito ou pela distância) e solitárias de ônibus,  nada melhor que um bom livro ou ouvir uma musiquinha, seja ela qual for, afinal cada um tem seu gosto. E esse é o problema: cada um tem seu gosto.

Apesar dos avisos dentro do ônibus, muitas vezes as pessoas escutam músicas sem fones de ouvido. O problema é que nem sempre a sua música preferida agrada o companheiro de viagem; nem sempre a pessoa ao seu lado acha agradável ouvir um hip hop às 7 da matina, do mesmo modo que outros achariam insuportável ouvir uma música mais antiga e completamente fora de moda, seja no horário que for. Em qualquer dos casos, ouvir música alheia em um volume alto incomoda e ponto.

Portanto aqui faço um apelo para que todos que resolvam escutar músicas o façam de forma individual. Acredite, meu amigo, o resto do ônibus não gosta tanto dessa música quanto você!

Talvez alguns tenham ficado curiosos em relação a qual é a minha trilha sonora afinal. Eu sinceramente prefiro não ouvir nada, observar o movimento, ler um livro, fazer palavras cruzadas, ou quando chega perto de sexta-feira, tirar um cochilo! Fica então a pergunta, caros leitores: trilha sonora, qual é a sua?


Hora do Parto!

27mar09

Boa Noite (ainda inexistentes), leitores!!!

Este post é mais para a inauguração do meu blog ! O projeto inicial é fazer relatos sobre a cidade de São Paulo! Mas vamos ver no que que isso se desenrola!

Amanhã prometo realmente começar meu relato e quem saber compartilhar alguns casos e causos! Fica a promessa! Até lá!